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Após 12 filmes se equilibrando em sua conhecida fórmula de sucesso, a Marvel em resposta a eminente concorrência da Warner/DC com seu vindouro universo cinematográfico que irá trazer ao menos dois filmes por ano até 2020, sai um pouco de sua zona de conforto e nos traz seu mais esperado e corajoso filme até o momento: Capitão América: Guerra Civil.

Com seu argumento baseado na série de sucesso Guerra Civil de Mark Millar e Steven McNiven de 2006/2007, temos o embate de ideologias entre os outrora amigos Capitão América/Steve Rogers (Chris Evans) e Homem de Ferro/Tony Stark (Robert Downey Jr) que entram em conflito e trazem ao seu lado companheiros que se identificam com o ideal de cada um.

Após a invasão de Nova York pelos Chutauris, Ultron em Sokóvia e Hulk em Wakanda e culminando com mais um incidente, desta vez com Wanda na Nigéria durante uma missão, a opinião pública mundial não vê mais com bons olhos as ações dos Vingadores, fazendo com que por meio do General Ross, A ONU obrigue os heróis a assinarem um acordo para que passem a ser monitorados por por eles, diferente das Hqs em que os heróis passam a ser controlados pela Shield, sai o mote principal que era a revelação e registro de suas identidades e entra apenas o controle pela ONU nos Vingadores, ou seja, os heróis só poderiam entrar em ação com supervisão e autorização da entidade.

Tony que se sente culpado pelas mortes ocorridas nas últimas intervenções envolvendo os Vingadores e principalmente se sentindo por ter criado Ultron, acha sensato que eles passem a ser controlados e vigiados, não sentindo mais segurança em suas próprias ações. Já Steve entende que eles nunca poderão salvar a todos, mas sim a maior quantidade de pessoas possíveis e que eles são uma força que não pode ser controlada por engravatados, que nunca poderiam ter que pedir permissão para salvar pessoas que necessitem de ajuda.

Tudo isso ganha uma camada ainda mais interessante quando o Soldado Invernal é acusado por um dos ataques no filme, fazendo com que Steve desconfie de Bucky e ao mesmo tempo acredita que o amigo é inocente.

A primeira parte do filme amarra todo esse contexto levando até o recrutamento das equipes por Tony e Stark, apresentando os novos personagens que farão parte da Marvel nos cinemas de agora em diante: Homem-Aranha e Pantera Negra.

Os primeiros 30 a 40 minutos de filme, apesar de ter algumas cenas de ação como a perseguição entre o Soldado Invernal, Pantera e Capitão não empolga como deveria, talvez por já ter sido vista no trailer, e acaba sendo a parte sonolenta do filme.

Mas quando chega o momento em que o embate entre Tony e Steve é inevitável, o filme consegue finalmente acelerar culminando na sequência vista nos trailers no Aeroporto. Esta sequência já pode ser considerada facilmente a mais fantástica em termos de ação para um filme de super-heróis, é incrível como os irmãos Russo conseguem dar espaço para todos os personagens, cada um tem o seu momento e o conseguem mesclar bem a qualidade da ação com o já conhecido bom humor nos filme da Marvel, são incontáveis piadas entre uma de soco e outro, principalmente com o envolvimento do ÓTIMO novo Homem-Aranha (Tom Holland) e do Homem-Formiga (Paul Rudd).

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O novo Homem-Aranha de Tom Holland é apresentado de maneira simples e prática, afinal TODOS já conhecem o Homem-Aranha, são 5 filmes com a premissa básica já apresentada, então não é necessário perder muito tempo com isso, até porque não haveria tempo, seu relacionamento com Tony Stark apesar de rápido é bem construído e uma das melhores cenas do filme.

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O Pantera Negra (Chadwick Boseman), desde sua primeira cena chama a atenção o respeito com o qual os outros personagens tem por ele, afinal sua motivação no filme é mais do que compreensível e apesar de não ter muita explicação de onde vem suas habilidades e super-força, abre as portas de maneira sutil para seu futuro filme solo e demais esclarecimentos.

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Apesar de Tony e Steve estarem de lados opostos, existe um respeito MUITO grande entre os dois e em nenhum momento eles realmente se transformam em inimigos de fato, são apenas amigos que foram colocados do lado diferente de uma luta e o filme trabalha isso muito bem.

Zemo (Daniel Brühl) é o vilão do filme que é encarregado garantir que os eventos do filme transcorram de maneira em que o Capitão e o Homem de Ferro entrem em conflito, culminando em uma virada de roteiro até previsível em que o Homem de Ferro enfrenta o Capitão e o Soldado Invernal, seu personagem apesar de parecer meio perdido, é importante e pode ter um potencial desenvolvimento em futuros filmes da Marvel.

O desfecho do filme não será surpresa para ninguém, afinal quando se trata de um filme da Marvel em que tem toda uma sequência de filmes importantes está planejada, os personagens principais precisam estar alinhados para que o plano continue.

Capitão América: Guerra Civil nos traz mais um capítulo da grande saga que é o Universo Marvel no cinemas, com um filme que demora um pouco a decolar, temas um pouco mais profundos, diálogos importantes entre os personagens, cenas de ação incríveis e direção segura, a adição de Homem-Aranha, Pantera e do Homem-Formiga enriquecem ainda mais esse universo,  Soldado Invernal ainda é um filme mais corajoso e certeiro e está um degrau acima, mas esse se posiciona facilmente entre os melhores da Marvel.

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Padu
Editor em LMMT