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Era esperado que a Warner/DC continuassem a mudança iniciada de maneira equivocada em Esquadrão Suicida e executada com sucesso em Mulher-Maravilha, um filme mais simples e que evitou histórias paralelas sem conexão com a trama principal, adicionando nessa receita um humor pontual mudando para um tom bem mais leve e que pudesse agradar o grande público.

É inevitável não fazer uma comparação com os filmes da Marvel, até porque a Warner precisava de um filme seguro para realmente estabelecer uma Liga da Justiça de sucesso que pudesse fortalecer os próximos lançamentos do estúdio. Quem perdeu com isso foram os fãs de Zack Snyder que defendem com unhas e dentes a visão de tom pesado do diretor, mas ganha uma nova leva de fãs do público geral que não conseguia se conectar com os primeiros filmes do DCEU, então veio Mulher-Maravilha, um filme redondo que conseguiu mostrar para a Warner que aquele era o (melhor?) caminho a ser seguido.

Acontece que Snyder já estava a frente das filmagens de Liga da Justiça a todo vapor, e mesmo que sua proposta fosse um filme mais leve que os anteriores, após a reação do público a algumas sessões testes, a Warner chamou então Joss Whedon, responsável pelo sucesso dos dois primeiros Vingadores da Marvel para colaborar no roteiro durante as filmagens onde teria a missão de estabelecer uma melhor conexão entre os personagens, tarefa que Snyder infelizmente já mostrou que não sabe fazer da maneira mais adequada, privilegiando a história pela sua fotografia e cenas fantásticas que sabe fazer como ninguém. Talvez esse caminho tivesse sido o mais adequado para finalizar o filme, Whedon palpitar nesses acertos de roteiro orientando a Snyder filmar com seu estilo e assinatura própria, mas uma tragédia pessoal acabou afastando Snyder das filmagens abrindo caminho para a Warner colocar Whedon a frente do projeto e das refilmagens que já haviam sido programadas, foi nesse momento que a Warner fez uma aposta arriscada, já que Whedon sabe trabalhar com personagens, mas não tem o apuro visual de Snyder, pai original do projeto, são dois diretores com uma maneira de trabalhar bem distintas.

Durante a projeção fica bem claro quando era totalmente Snyder ou era Whedon, já que até mesmo cenários e efeitos CGI deixavam a desejar, culminando no infame bigode de Henry Cavill retirado digitalmente na pós-produção, já que durante as refilmagens ele estava sob contrato da Paramount por Missão Impossível 6 e não poderia tirar o bigode por certo tempo.

O grande vilão da produção acabou sendo o próprio CEO Kevin Tsujihara da Warner que exigiu que o filme tivesse o corte de 2 horas, com o pretexto de que não gostaria de correr o risco de um outro filme como BvS, que teve uma duração longa, menos sessões e uma história mais confusa para o grande público, essa decisão talvez tenha sido o maior erro da Warner.

O filme tenta estabelecer que o mundo sente a falta do Superman após sua morte e que sua ausência fez com que a violência no mundo aumentasse de uma maneira geral, como se a esperança tivesse sumido, testemunhas relatam que sequestros estão sendo realizados por aliens chamando a atenção do Batman que encontra um dos Parademônios em Gotham e descobre que eles procuram por  algum tipo de “caixa”, então ele se une a Diana (Gal Gadot) fazendo o recrutamento de Flash-Barry Ellen (Ezra Miller), e os relutantes Ciborgue-Victor Stone (Ray Fisher) e Aquaman-Arthur Curry(Jason Mamoa) que haviam sido previamente apresentados em BvS para combater o Lobo da Estepe (Ciaran Hinds), uma espécie de coronel de Apokolips (cujo nome não é citada) que milênios após ser derrotado por um exército formado de Amazonas, Atlantes, Humanos, Deuses e até mesmo alguns Lanternas Verdes é atraído novamente para tentar juntar as 3 caixas maternas que ficaram guardadas por segurança entre as Amazonas, Atlantes e os Humanos.

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Pontos Positivos

  • A interação entre os personagens: É fantástico ver os heróis interagindo, seja em uma simples conversa durante um planejamento ou no meio de algum dos combates;
  • O Flash é o alívio cômico do filme, mas não é um piadista forçado, ele é simplesmente bem humorado e faz parte da personalidade dele com naturalidade, suas cenas de ação são bem elaboradas e conseguem se distanciar de comparações com o Flash da série de TV e do próprio Mercúrio da FOX.
  • Ciborgue ganha um bom background no começo do filme revelando sua dramaticidade pela sua situação, até que um evento no filme o força a sair das sombras e se juntar a Liga. É um dos personagens mais interessantes do filme e seu CGI está na maior parte do tempo bem convincente.
  • Gal Gadot, apesar de não ser ótima atriz continua muito bem no papel da princesa Amazona no ponto certo, assim como foi em Mulher-Maravilha, tem ótimos momentos durante as lutas e nos embates psicológicos com Bruce Wayne.
  • Atlântida, Mera e Themyscira – É muito empolgante revisitar Themyscira e ver um embate fantástico das Amazonas com o Lobo da Estepe,  temos também um pequeno deslumbre de Atlântida com a apresentação de Mera (Amber Heard) abrindo caminho para o filme do Aquaman que estreia no próximo ano.filme-justice-league-aquaman

     

  • Superman: Seu retorno é simples, porém bem executado, é muito bom ver finalmente Henry Cavill mais solto no papel do personagem, mais decidido e se preocupando realmente com as pessoas. Em seu 3º filme temos finalmente o último filho e Krypton bem representado.
  • 2 Cenas pós-créditos – Assista até o final dos créditos, a primeira cena é uma brincadeira clássica com dois heróis da Liga e a última foi uma surpresa com a volta de um personagem importante e primeira aparição de outro no DCEU.
  • Trilha Sonora de Danny Elfman – É difícil não se empolgar quando toca os acordes dos filmes clássicos do Batman de 89 de Burton ou do Superman de Richard Donner, o resto da trilha é bem encaixada apesar de não ser tão marcante como a que Hans Zimmer realizada com maestria em MoS e BvS (esta em parceria com Junkie XL).

Pontos Negativos

  • Humor fora do ponto: O filme força demais aquele humor jogado em alguns momentos, inclusive no clímax do filme que até é engraçado, mas desnecessários e fora de hora.
  • Cenários CGI:  É incrível como a Warner não consegue colocar seus personagens em cenários mais reais, isso traz uma estranheza muito grande e não passa uma sensação de realidade, e isso piora ainda mais nas cenas de refilmagens de Joss Whedon que destoa totalmente da filmagem original de Snyder, culminando no terrível efeito as pressas para tirar o bigode de Henry Cavill.
  • Vilão genérico demais: É compreensível que a Warner quisesse um vilão simples para a Liga combater, mas no final temos um Lobo da Estepe raso, motivações bobas e com efeito sofrível em CGI que tirando seu primeiro confronto com as Amazonas não passa nenhum senso de urgência de verdade no resto do filme.filme-justice-league-lobo-da-estepe
  • Tesoura da Warner: A decisão de ter 2 horas de filme prejudicou demais, o primeiro ato passa boa parte do tempo apresentando os novos personagens, acredito que se o filme tivesse ao menos 15 min a mais, pontos como senso de urgência mostrando a reação do mundo a ameaça do Lobo da Estepe, retorno do Superman e a própria existência da Liga da Justiça, ficaria mais amarrado. No final tivemos um filme privilegiando e focando demais no relacionamento dos personagens (o que dá muito certo) mas eles acabam esquecendo destes pontos importantes, principalmente quando temos diversas cenas mostradas nos trailers que no final não entraram no corte final do filme.

Ponto de fusão:

No final temos um filme bagunçado, mas divertido e gostoso de assistir. Comparando com o tom estabelecido anteriormente vai causar estranheza aos críticos mais atentos, fazendo com que a Warner/DC tenha mais um filme que dividirá a critica, mas que diferente de Homem de Aço e BvS que até hoje são discutidos, este por ter uma proposta mais genérica pode não ser debatido por tanto tempo já que a fórmula escolhida é parecida com a da concorrente Marvel, onde 90% de seus filmes agradam ao serem assistidos, mas são esquecidos da mente coletiva após algumas semanas.

Para onde vai?

Este filme divertiu e vai fazer muito dinheiro pagando sua conta de produção, mas resta agora a Warner/DC  ficar atenta as criticas que receber, caso o tom escolhido a partir de agora seja esse, que nos próximos filmes seja executado do começo ao fim desta maneira, ao menos teremos um filme com identidade, sem remendos que prejudicaram muito este primeiro Liga da Justiça.

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Padu
Editor em LMMT